Alcoolismo: tudo o que você preferia ignorar
Nota do autor: No consultório e entre amigos sempre noto um tipo de questionamento velado sobre o alcoolismo, de como começa, como identificar e como tratar. Sempre comentam de um conhecido, pai de amigo ou narram histórias que já ouviram falar. É dificil vê-los se perguntando honestamente sobre sua própria relação com o álcool.
Pensando nisso, resolvi escrever na coluna #ID sobre o assunto – mesmo sem uma pergunta de leitor como ponto de partida – abordando vários aspectos importantes dessa experiência que pode ser a de muitos, mesmo que ignorem ou desconheçam.
Sempre que pensamos num alcoólatra (hoje o termo é “alcoolista”), logo vem à mente a imagem clássica do tiozinho com barba mal-feita cambaleando pela rua com a garrafa de pinga pura, caindo na frente da calçada de casa vomitando, fazendo toda a vizinhança olhar com desprezo e vergonha para aquele vagabundo sem caráter, violento, que faz mal à família.
Nunca pensamos numa loira linda como a personagem da namoradinha de “Alfie, o sedutor“ ou na delicada personagem de Meg Ryan no filme “Quando um homem ama uma mulher“. O bêbado é sempre o pai dos outros ou o garotão de balada que sai com o energético e vodka na mão. Ele está sempre bem longe e nunca dentro de casa.
A realidade não é bem essa. Não nos é tão nítido ou perceptível quando alguém passou da dose “moderada” e incidiu numa doença silenciosa, socialmente estimulada, que rende bons papos entre amigos e mata muitas pessoas direta e indiretamente – ainda que os dados estatísticos não consigam revelar a extensão e gravidade do assunto.
Todo mundo já ouviu uma história envolvendo álcool que não terminou bem. O problema é que ignoramos o fato de que a história não precisa culminar em morte ou paraplegia para ser uma tragédia.
Como saber que estou passando do ponto de “beber moderadamente”?
Todas as propagandas de bebida alcoólica estimulam os usuários a beber moderadamente. Ocorre que não fica muito claro exatamente qual seria esta medida. Muitos questionam, então, à partir de quando se pode diagnosticar o alcoolismo. Ou continuam bebendo, então, sem fazer a mínima ideia de que passaram do ponto.
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Bebendo socialmente |
A Organização Mundial da Saúde alerta sobre o que é o razoável.
“O consumo não pode superar o equivalente a três copos de chope ou apenas uma dose de uísque por dia. Para quem costuma beber diariamente mais de duas latas de cerveja ou duas doses de destilado, como uísque ou pinga, aqui vai um alerta: o nível de álcool presente nessas quantidades de bebida está acima do recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), podendo causar danos ao organismo. De acordo com os especialistas, as pessoas saudáveis podem consumir, no máximo, 30 gramas de álcool por dia. “

Cada organismo reage de um jeito. Eu tenho um critério que uso para avaliar caso a caso, usando os seguintes marcadores.
Leia mais em; papo de homem
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