Brasil o paĂs dos desprovidos
Pensava-se que nossa economia fosse intacta, isto Ă©, broze ou ouro. Nunca fosse enfraquecer a ponto de pararmos na maior das crises, e ainda, despreparados, desprovidos e abandonados, pelas autoridades do paĂs, que nos deixam Ă deriva, totalmente sem perspectivas, amercer das coisas
Do inĂcio de 2006 ao final de 2014, o Brasil viveu um longo desvio heterodoxo em sua polĂtica econĂ´mica, que deixou o paĂs despreparado para lidar com atual piora do cenário internacional para emergentes produtores de commodities.
Em 2005, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, classificou como “rudimentar” o projeto de ajuste fiscal de longo prazo dos ministro da Fazenda, Antonio Palocci, e do Planejamento, Paulo Bernardo. Poucos meses depois, Palocci caĂa, engolfado por um escândalo, e Guido Mantega assumia a Fazenda. Mantega, com o apoio de Dilma, sobretudo quando esta chegou Ă presidĂŞncia, deu uma guinada heterodoxa na polĂtica econĂ´mica, que explica porque hoje o Brasil está novamente vulnerável e nĂŁo pode fazer polĂtica fiscal e monetária ant-cĂclica para enfrentar um dos piores momentos econĂ´micos das Ăşltimas dĂ©cadas.
No longo desvio da polĂtica econĂ´mica brasileira, ao classificar em novembro de 2005 como “rudimentar” o plano de ajuste fiscal de longo prazo dos ministros da Fazenda, Antonio Palocci, e do Planejamento, Paulo Bernardo.
Em termos polĂticos, era um momento de alta tensĂŁo. O MensalĂŁo já havia estourado, e Palocci começava a receber os primeiros respingos do seu prĂłprio escândalo. Em agosto de 2005, seu ex-assessor, RogĂ©rio Buratti, acusara o ministro
de ter recebido uma mesada de R$ 50 mil de empreiteira, enquanto prefeito de RibeirĂŁo Preto em 2001 e 2002
Na economia, vivia-se ainda o ajuste iniciado em 2003, com polĂtica monetária dura (a Selic chegou a 19,75% no ano do MensalĂŁo), que levou a um
crescimento de 3,2% do PIB em 2005 – em tempos em que isto nĂŁo era considerado nada grande coisa. O aperto monetário funcionou, e a inflação desceu de 7,6% em 2004 para 3,2% em 2006. No lado fiscal, o superávit primário atingiu 3,8% do PIB, seu maior nĂvel histĂłrico. Com balança comercial fortemente superavitária (fechou 2005 com saldo positivo de US$ 44,8 bilhões), o saldo em conta corrente em 12 meses chegou a tocar a marca de 2% positivos ao longo de 2015.
Olhando retrospectivamente, fica claro que em 2005 o Brasil estava concluindo uma longa e penosa fase de ajustes, preparatĂłria para os anos de ouro do segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Uma enĂ©rgica e inteligente agenda de racionalização microeconĂ´mica nos dois primeiros anos do governo do ex-presidente reforçava os alicerces para o ciclo de felicidade que estava por vir. E, claro, a alta das commodities que já ajudava o PaĂs desde os primeiros anos da dĂ©cada completava o quadro.
polĂtica, porĂ©m, complicava-se cada vez mais. Em março de 2006, abatido pelo escândalo, Palocci era substituĂdo por Guido Mantega no ministĂ©rio da Fazenda. O prestĂgio de Dilma aumentava, dando inĂcio ao processo de acĂşmulo de capital polĂtico que faria dela a sucessora de Lula
polĂtica, porĂ©m, complicava-se cada vez mais. Em março de 2006, abatido pelo escândalo, Palocci era substituĂdo por Guido Mantega no ministĂ©rio da Fazenda. O prestĂgio de Dilma aumentava, dando inĂcio ao processo de acĂşmulo de capital polĂtico que faria dela a sucessora de Lula
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